“O Brasil precisa aumentar a presença em Washington, e estamos fazendo isso”, diz embaixador

“O Brasil precisa aumentar a presença em Washington, e estamos fazendo isso”, diz embaixador Sérgio Amaral em visita à Amcham
São Paulo – O embaixador do Brasil nos EUA, Sérgio Amaral, esteve na sede da Amcham em café da manhã com os membros do Conselho de Administração da entidade.

Prestes a completar, em agosto, o 1º ano no posto de embaixador do Brasil em Washington, o diplomata Sérgio Amaral participou, na manhã de café da manhã com os membros do Conselho de Administração da Câmara Americana de Comércio no Brasil (Amcham Brasil), apresentando os resultados das ações prioritárias da agenda bilateral em quase 12 meses de trabalho. Participaram do encontro lideranças da PwC, IBM, Stefanini, Monsanto, Standard & Poors, AES, Intel, JP Morgan, Grupo Bandeirantes, Mangels Industrial, Veirano e Pereira Dabul Advogados. O presidente do Conselho de Administração da Amcham Brasil, Hélio Magalhães, e a CEO, Deborah Vieitas, conduziram o encontro, que também teve a presença de Rick Ortiz, ministro conselheiro para Assuntos Comerciais da Embaixada dos EUA.

“O balanço é extremamente positivo. Iniciamos uma conversa mais prática com o governo norte-americano, estabelecendo uma lista de dez projetos prioritários, buscando sobretudo resultados concretos”, comentou o embaixador. O roteiro de dez itens foi construído, em junho, pelo chanceler Aloysio Nunes e pelo secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, em encontro em Washington. A ideia é estabelecer encontros de reavaliação a cada três meses e, segundo o embaixador, alguns itens já apresentam evolução.

“Existem avanços significativos em várias áreas, por exemplo, na área de comércio. Estamos andando de forma satisfatória com o processo de convergência regulatória. Nós já temos um setor, que é o de cerâmica, e estamos iniciando um segundo setor, o têxtil, no aguardo de confirmação do governo dos EUA. Na área de comércio, apresentamos um projeto de acordo de investimentos que tem como objetivo principal atender as demandas empresariais, e existe também um processo de facilitação de comércio. O acordo de salvaguarda tecnológica também segue na pauta com objetivo de viabilizar uma parceria para lançamento de satélites na Base de Alcântara. São projetos que terão certamente um importante desdobramento empresarial”, detalha o embaixador Sérgio Amaral.

Ontem, inclusive, o embaixador teve uma longa reunião com o ministro Aloysio Nunes, no Itamaraty, para discutir os avanços e acelerar pontos ainda com gargalos da agenda prioritária. Do lado americano, o secretário Tillerson já convocou para setembro reunião com a equipe para avaliar os avanços conquistados, de forma que os dois governos estão empenhados a fazer andar essa cooperação bilateral. “Acredito até em outros resultados à curto prazo como da área de Defesa com assinatura de até três acordo. No caso de áreas com dificuldades de avanços, estamos fazendo empenho dos dois lados, para estabelecer uma agenda, como é o caso dos setores de Energia e Infraestrutura”, afirma o diplomata.

A questão da bitributação ficou de fora por sua complexidade e demandar maior aprofundamento. “O acordo de bitributação é fundamental. Mas, no momento, estamos de um lado, no Brasil, com uma grande restrição fiscal em que há uma cautela em abrir iniciativas novas sem saber qual será o impacto que isso vai ter na arrecadação. Do lado americano, existe um programa de reforma tributária em curso, que inclusive contempla um mecanismo novo, que é o ajustamento fiscal na fronteira. Ele poderá modificar substancialmente, por exemplo, a tributação de empresas norte-americanas fora dos EUA. Então, neste momento, é difícil que haja importantes avanços. Vamos esperar um pouco um momento mais favorável para que possamos concentrar nesse ponto que é fundamental para a vida das empresas”, esclareceu.

Encontro Temer e Trump?

Sobre um possível encontro dos presidentes Donald Trump e Michel Temer à margem da tradicional reunião da ONU, em setembro, em Nova York, a embaixada segue aguardando a confirmação da ida do mandatório brasileiro ao encontro. “Logo que à participação se confirme, vamos buscar a concretização desse encontro entre os presidentes”, contou ele. O embaixador acredita que a participação de Temer deve ocorrer, assim como em 2016.

O embaixador percebe continuidade do interesse americano no Brasil. “Em três meses na embaixada, fui convidado para 11 palestras nos principais think tanks de Washington”. Para reforçar a presença do Brasil na capital politica dos EUA, a embaixada está liderando a ampliação do Congressional Brazil Caucus, espécie de frente parlamentar com interessados nos acontecimentos políticos e econômicos brasileiros, composto hoje por 40 membros. “Estamos retomando também a viagem de deputados e senadores americanos ao Brasil com agenda concreta de aproximação”, finaliza.

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