Os roedores do Brasil

Não resisto e embarco no assunto.
O general Hamilton Martins Mourão fez recentemente uma declaração no recinto fechado de uma loja maçônica. Gravada, foi para a internet e causou um rebuliço dos diabos. A esquerda se ouriçou e pretensos democratas viram nas palavras do militar uma grave ameaça à democracia brasileira, essa esculhambação trágica que nossos políticos protagonizam.
Mas o que ele teria dito que tanta agitação causou? Simples. Trocando em miúdos, declarou que, se a sociedade civil brasileira, por meio dos três poderes – executivo, legislativo e judiciário – não punir severamente os corruptos que roubam a pátria e não realizar as reformas de que o estado precisa com urgência para que nossa democracia funcione decentemente, chegará o momento em que a paciência popular transbordará, atropelará os poderes constituídos e obrigará a intervenção das Forças Armadas para a restauração da ordem e moralidade. Como se deu em 1964, e quem viu sabe
Onde o exagero? Afinal, é o que se ouve nas esquinas, nos bares, nos lares, em toda parte. Em resumo, o general Mourão traduziu o sentimento de milhões de brasileiros, cansados e enojados com o cenário político do País. Mas o drama não se encerra aí. O brasileiro olha para o poder judiciário e treme de indignação diante do comportamento de alguns magistrados do STF (Supremo Tribunal Federal), dentre os quais ganha no momento destaque especial o ministro Gilmar Mendes, um boquirroto que morre de vaidade e não pode ver câmera e microfone à frente sem logo assumir ares de prima-dona. Se detém apreciável conhecimento jurídico, é também verdade que o utiliza segundo conveniências inconvenientes e suspeitas.
Há, meus amigos, um cheiro de fumo no ar, provocado pelos políticos corruptos que não querem salvar o Brasil. Querem mesmo é livrar a pele das garras da Justiça – notadamente da Operação Lava-Jato – e manter seus privilégios imorais. Prometem mudanças, desde que tudo permaneça como antes, e o povo, desiludido, sabe que desse Congresso muito dificilmente sairá algo que preste. O sistema apodreceu, eis o caso, e essa podridão alimentas as velhas e gordas ratazanas, para as quais os interesses do País morrem na varanda de suas suntuosas moradias e no limite de seus interesses e ambições espúrios.
A salvação, por ora, está nas mãos do Poder Judiciário, que também precisa rever seus privilégios escandalosos e injustificáveis. A paciência popular caminha para o esgotamento. Se ele, Judiciário, falhar em responder ao clamor da sociedade com a celeridade e rigor indispensáveis, preparemo-nos para o tranco, que não se deseja, mas que poderá ser o amargo remédio para um Brasil seriamente doente. Como advertia George Santayana (1863-1952), “aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo”.

Setembro de 2017.

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