Carta aos leitores

Caros amigos e amigas,

Depois de tantos anos de envio semanal de crônicas e contos aos amigos, comunico-lhes o encerramento de meu ciclo literário. E o finalizo com a crônica “O Aguiar”, anexa.
O motivo é simples. A labuta de escritor amador só se justifica se sua produção literária for lida e apreciada. Aos que se aventuram a editar livros, na forma de “edição do autor”, ou seja, cabendo a ele, autor, arcar com todos os custos de publicação, distribuição e venda, o terreno é áspero demais. Sem contar com retaguarda comercial que edite a obra e a promova junto ao público consumidor mediante publicidade, distribuição às livrarias e obtenção de resenhas favoráveis dos chamados críticos especializados, o autor ou contrata tudo isso, se tiver bolso para tanto, ou conta apenas com os amigos que apreciem seus escritos.
Em outras palavras, o escritor amador vive de amor à literatura, sem ilusões quanto a lucros financeiros. Pode acontecer de, num golpe de sorte, vir a ganhar dinheiro com o ofício, mas é raro. Precisa que, além da qualidade intrínseca da obra, aconteça a conjunção favorável de inúmeras variáveis e casualidades que não cabem ser tratadas aqui. Na maioria dos casos, portanto, o autor busca apenas reconhecimento literário.
Ao lançar meu segundo livro – “Aquário de Estrelas” –, em edição do autor, contrariei algumas opiniões para que fizesse o lançamento em evento apropriado, numa livraria, por exemplo. Optei pela venda direta através da Arte Editora, via internet (vide banner anexo da Arte Editora, a qual segue com o livro à disposição para venda). Considerei que seria muito mais cômodo adquiri-lo sem precisar sair de casa. Entrou também em minha escolha certo constrangimento com a exposição pessoal do autor que tais lançamentos promovem. Bobagem, pode ser, mas é acanhamento que me vem de muito longe e os anos não o reduziram. Quem sabe para meu prejuízo.
Assim pensado, assim feito. Pois bem, a acolhida ao livro, e tenho a relação das vendas realizadas até esta data, 05.10.2017, é indicador seguro a liquidar ilusões ou pretensões literárias. Uma coisa levou a outra e concluí que minhas crônicas semanais perderam o sentido sabe-se lá há quanto tempo. Afinal, concorrem com WhatsApp, Facebook e outros aplicativos via internet. Coisas da modernidade, e elas, crônicas, podem ter se convertido em mais uma mensagem a entulhar caixas de entrada de e-mails, na inútil pretensão de disputar o escasso tempo do leitor, largamente consumido em cima das formas de comunicação virtual em tablets, smartphones etc.
Voltando aos livros, a realidade é que o brasileiro é pouco dado a lê-los e, quando o faz, guia-se muito mais pela publicidade que cerca tal e qual obra. É muito mais confortável comprar um dos “mais vendidos” do que arriscar o dinheiro com autores de pouca projeção. É compreensível que aconteça desse modo e não se pode condenar o procedimento. Lamentar, sim.
Ainda sobre o livro “Aquário de Estrelas”, antes de lançá-lo cheguei a cogitar oferecê-lo gratuitamente aos amigos leitores, mas meu prezado amigo general Hamilton Bonat, intelectual experimentado nas letras, disse-me certa ocasião que “livro dado pelo autor não é lido”. A afirmação, amarga, pode ser até discutível e não aplicável a todos os casos, mas faz sentido na maioria das vezes.
Enfim, amigos, para encurtar a conversa, chego ao fim da linha. Aos que me acompanharam nesse tempo já alongado de crônicas e contos semanais e aos que adquiriram meus livros, meu agradecimento.

Outubro de 2017.

COMENTÁRIO